História de São Francisco de Assis
Giovanni di Pietro di Bernardone, mais conhecido como São Francisco de Assis nasceu
em Assis na Itália, em 1182. Era
filho do comerciante
italiano Pietro di Bernadone dei Moriconi e sua esposa Pica Bourlemont,
cuja família tinha raízes francesas. Os pais de Francisco faziam parte
da burguesia da cidade de Assis, e graças a negócios bem sucedidos na
Provença, França,
conquistaram riqueza e bem estar. Na ausência do pai, em viagem à
França, sua mãe o batizou com o nome de Giovanni (João, em português, a
partir do profeta São João Batista)
na igreja construída em homenagem ao padroeiro da cidade, o mártir
Rufino. A origem de seu nome Francesco (Francisco) é incerta. Para uns,
depois de uma viagem à França, onde o menino teria ficado cativado pela
vida francesa, sua música, sua poesia
e seu povo, seu pai teria começado a chamá-lo de "francesco", que
significa "francês" em italiano. Para outros seu pai teria feito, em
vez, uma homenagem ao país natal de sua esposa, embora não haja provas
de sua naturalidade francesa. Também foi sugerido que o nome foi dado
por seu gosto pela língua francesa, que perdurou por toda a vida de
Francisco e era em sua época a linguagem por excelência da literatura
cavaleiresca e da expressão amorosa.
O menino cresceu e se tornou um jovem popular entre seus amigos, por
sua indisciplina e extravagâncias, por sua paixão pelas aventuras, pelas
roupas da moda e pela bebida, e por sua liberalidade com o dinheiro,
mas mostrava uma índole bondosa. Era nessa época fascinado pelas
histórias de cavalaria, e desejava ganhar fama como um herói. Assim, em 1202 alistou-se como soldado na guerra que Assis desenvolvia contra Peruggia,
mas foi capturado e permaneceu preso, à espera de um resgate, por cerca
de um ano. Ao ser libertado caiu doente, com episódios de febre
que duraram quase todo o ano de 1204. Ali se apresentaram as duas
afecções que o acompanharam por toda a sua vida: problemas de visão e no aparelho digestivo.
Depois de recuperado tentou novamente a carreira das armas, engajou-se em 1205 no exército papal que lutava contra Frederico II,
incentivado por um sonho que tivera. Nele apareceu-lhe alguém
chamando-o pelo nome e levando-o a um rico palácio, onde vivia uma linda
donzela, e que estava cheio de armas resplandecentes e outros
apetrechos de guerra. Indagando de quem eram essas armas esplêndidas e o
palácio magnífico, foi-lhe respondido que tudo aquilo era seu e de seus
soldados. Animado com a perspectiva de glória, pôs-se a caminho, mas no
trajeto teve outro sonho, ou uma visão, onde ouviu, segundo a versão da
Legenda trium sociorum, uma voz a dizer: Quem te pode ser de mais proveito? O senhor ou o servo? Como Francisco respondesse: O senhor, ouviu novamente a voz: Então por que deixas o senhor pelo servo e o príncipe pelo vassalo?. Confundido, Francisco disse: Que queres que eu faça?, e a voz replicou: Volta para tua terra, e te será dito o que haverás de fazer. Pois deves entender de outro modo a visão que tiveste.
Poucos dias depois, já em Assis, durante uma algazarra com seus
amigos, teria sido tocado pela presença divina, e desde então, segundo a
Legenda, começou a perder o interesse por seus antigos hábitos
de vida e mostrar preocupação pelos necessitados. Eleito "rei da
juventude" em um festejo folclórico tradicional, em vez de preparar-se
para a entrada em uma vida de casado, como seria o costume, retirou-se,
conforme relatou seu primeiro biógrafo Tomás de Celano, para uma caverna a fim de meditar, acompanhado de apenas um amigo fiel, para quem revelou suas preocupações e seu desejo de obter o tesouro da sabedoria
e de desposar a vida religiosa. Mas ainda era um período de hesitação.
Quando tinha arroubos de devoção e os expressava publicamente, era
ridicularizado; tinha pesadelos com uma horrível mulher corcunda, e
imaginava que esta era a imagem de sua futura vida de pobreza.
Certo dia saiu em um passeio pelos campos nos arredores, e ao penetrar em uma clareira ouviu o som do sino que os leprosos,
proscritos pela sociedade, deviam usar para indicar a sua aproximação, e
logo se viu frente a frente com o homem doente. Fazia frio e o leproso
tinha apenas trapos sobre o corpo. Francisco sempre sentira repulsa dos
leprosos, mas nesse momento desceu de seu cavalo e cobriu o homem com
seu próprio manto. Espantado consigo mesmo, olhou nos olhos do outro, e
viu sua gratidão, e enquanto ele mesmo chorava, beijou aquele rosto
deformado pela moléstia. Este parece ter sido o ponto de virada em sua
vida, mas sua vocação não se declarou toda subitamente, e a cronologia desses e outros episódios preparatórios para sua conversão
não é clara nas fontes antigas. Também parece ter tentado seguir o
ofício de seu pai, mas sem conseguir devotar-se a ele. Ao contrário,
estava cada vez mais interessado em ajudar os pobres.
Mas certa feita entrou para orar na igreja de São Damião, fora das portas da cidade, e ali, diz a tradição, ele ouviu pela primeira vez a voz de Cristo, que lhe falou de um crucifixo.
A voz chamou a sua atenção para o estado de ruína de sua Igreja, e
instou para que Francisco a reconstruísse. Imediatamente voltou para sua
casa, recolheu diversos tecidos caros da loja de seu pai e os vendeu a
baixo preço no mercado da cidade, e voltou para a igreja onde tivera sua
revelação doando o dinheiro para o padre, a fim de que ele restaurasse o
prédio decadente. Ao saber disso o pai se enfureceu e mandou que o
buscassem. Atemorizado, Francisco se escondeu em um celeiro,
onde seu amigo lhe levava um pouco de comida. Passado algum tempo,
decidiu revelar-se, e diante do povo de Assis se acusou de preguiçoso e
desocupado. A multidão o tomou por louco e divertiu-se apedrejando-o. O
pai ouviu o tumulto e o recolheu para sua casa, mas o acorrentou no
porão. Alguns dias depois sua mãe, por compaixão, livrou-o das
correntes, e Francisco foi buscar refúgio junto ao bispo.
O pai seguiu-o e o acusou de dissipador de sua fortuna, reclamando uma
compensação pelo que ele havia tirado sem licença de sua loja. Então,
para a surpresa de todos, Francisco despiu todas as suas belas roupas e
as colocou aos pés do pai, renunciou à sua herança, pediu a bênção do bispo e partiu, completamente nu, para iniciar uma vida de pobreza junto do povo, da qual jamais retornou. O bispo viu nesse gesto um sinal divino e se tornou seu protetor pelo resto da vida.
Renúncia de São Francisco de Assis
Para reparar a Igreja de São Damião, Francisco pedia esmola em Assis. Terminado esse trabalho, começou reformar a Igreja de São Pedro. Depois, ele retirou-se para morar numa capela com o nome de Porciúncula. Ela fazia parte da Abadia de Monte Subasio, cuidada pelos beneditinos. Ali o céu lhe mostrou o que realmente esperava dele.
O trecho do Evangelho da Missa daquele dia dizia: "Ide
a pregar, dizendo: o Reino de Deus tinha chegado. Dai gratuitamente o
que haveis recebido gratuitamente. Não possuas ouro, nem duas túnicas,
nem sandálias...” A estas palavras, Francisco tirou suas sandálias, seu cinturão e ficou somente com a túnica.
Milagres de São Francisco de Assis
Deus lhe concedeu o dom da profecia e o dos milagres. Quando Francisco
pedia esmolascom o fim de restaurar a Igreja de São Damião, ele dizia: "Um dia haverá ali um convento de religiosas, em cujo nome se glorificará o Senhor e a Igreja".
A profecia se confirmou cinco depois com Santa Clara e suas religiosas.
Ao curar, com um beijo, o câncer que havia desfigurado o rosto de um
homem, São Boaventura comentou para São Francisco de Assis: "Não se há
que admirar mais o beijo do que o milagre?"
Fundação da Ordem dos Frades Menores (O.F.M.)
Francisco começou a anunciar a verdade, no ardor do Espírito de Cristo.
Convidou outros a se associarem a ele na busca da perfeita santidade,
insistindo para que levassem uma vida de penitência. Alguns começaram a
praticar a penitência e em seguida se associaram a ele, partilhando a
mesma vida. O humilde São Francisco de Assis decidiu que eles se
chamariam Frades Menores.
Surgiram assim os primeiros 12
discípulos que, segundo registram alguns documentos, “foram homens de
tão grande santidade que, desde os Apóstolos até hoje, não viu o mundo
homens tão maravilhosos e santos”. O próprio Francisco disse em
testamento: “Aqueles que vinham abraçar esta vida, distribuíam aos
pobres tudo o que tinham. Contentavam-se só com uma túnica, uma corda e
um par de calções, e não queriam mais nada”. Os novos apóstolos
reuniram-se em torno da pequena igreja da Porciúncula, ou Santa Maria dos Anjos, que passou a ser o berço da Ordem.
A nova ordem religiosa de São Fracisco de Assis
Em 1210, quando o grupo contava com doze membros, São Francisco de
Assis redigiu uma regra pequena e informal. Esta regra era, na sua
maioria, os conselhos de Jesus para que possamos alcançar a perfeição.
Com ela foram à Roma apresentá-la ao Sumo Pontífice. Lá, porém,relutavam
em aprovar a nova comunidade. Eles achavam que o ideal de Francisco
eramuito rígidoa respeito da pobreza. Por fim, porém, um cardeal
afirmou:
Receberam a aprovação e voltaram a Assis, vivendo na pobreza, em
oração, em santa alegria e grande fraternidade, junto a Igreja da
Porciúncula. Mais tarde, Inocêncio III mandou chamar São Francisco de
Assis e aprovou a regra verbalmente. Logo em seguida o papa impôs a eles
o corte dos cabelos, e lhes enviou em missão de pregarem a penitência.
São Francisco dando a Regra para as suas Ordens, c. 1440-1470
"Não podemos proibir que vivam como Cristo mandou no Evangelho".

Devoção a São Francisco de Assis
No verão de 1225, Francisco esteve tão enfermo, que o cardeal Ugolino e
o irmão Elias o levaram ao médico do Papa, em Rieti. São Francisco de
Assis perguntou a verdade e lhe dissessem que lhe restava apenas umas
semanas de vida. "Bem vinda, irmã Morte!", exclamou o santo.
Em
seguida pediu para ser levado à Porciúncula. Morreu no dia três de
outubro de 1226, com menos de 45 anos, depois de escutar a leitura da
Paixão do Senhor. Ele queria ser sepultado no cemitério dos criminosos,
mas seus irmãos o levaram em solene procissão à Igreja de São Jorge, em Assis.
Ali esteve depositado até dois anos depois da canonização. Em 1230, foi
secretamente trasladado à grande basílica construída pelo irmão Elias.
Ele foi canonizado apenas dois anos depois da morte, em 1228, pelo Papa Gregório IX. Sua festa é celebrada em 04 de outubro.
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